Ordo Fratrum Minorum Capuccinorum

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updated 12:38 PM CEST, Aug 10, 2020

Pontifício Colégio Etíope

Vaticano
Entrevista com o Reitor do Pontifício Colégio Etíope. À sombra de São Pedro
L'Osservatore Romano

Cem anos de vida. Abriram-se, no início da tarde de sexta-feira, 10 de janeiro, em Roma, no Pontifício Instituto Oriental, as comemorações do centenário de fundação do Pontifício Colégio Etíope.

Os festejos – dos quais participaram todos os bispos da Etiópia e da Eritreia – realizaram-se no Vaticano na manhã de sábado, 11 de janeiro, quando os membros do Colégio foram recebidos em audiência pelo Papa Francisco. À tarde, sempre no Vaticano, na igreja de Santo Estêvão dos Abissínios, aconteceu a oração solene das Vésperas. Na mesma igreja, no dia seguinte, foram cantadas as Laudes da Divina Liturgia.

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Entrevista ao Reitor do Pontifício Colégio Etíope
À sombra de São Pedro

por Nicola Gori

O Pontifício Colégio Etíope – a única instituição formativa do gênero presente entre os muros vaticanos – é um ponto de conhecimento, de comunhão e de vínculo entre as Igrejas na Etiópia e na Eritreia e a Igreja universal. Explica-o nesta entrevista ao “L’Osservatore Romano” o frade menor capuchinho eritreu Fr. Hailemikael Beraki, desde 2019, Reitor do instituto que, justamente nestes dias, celebra o centenário da fundação.

Como se explica a presença do Pontifício Colégio Etíope dentro do Vaticano?

A explicação se encontra na postura dos Pontífices em relação a nós, em particular, de Bento XV e de Pio XI. Após a assinatura dos Pactos Lateranenses, os colégios que estavam dentro dos muros vaticanos foram transferidos à cidade de Roma. Por um privilégio e por uma predileção dos Pontífices, nós permanecemos aqui. Existia uma hospedaria para os peregrinos abissínios já desde 1481. Encontrava-se detrás da abside da basílica, ao lado da igreja dedicada, justamente, a Santo Estêvão dos Abissínios. Bento XV transformou a hospedaria que, em 1919, permitiu a abertura do Colégio. Seu sucessor, Pio XI, herdou esta realidade e a potencializou. Em 1930, mandou construir nos Jardins Vaticanos uma nova sede, aquela que atualmente conhecemos como Pontifício Colégio Etíope.

Que tipo de estudantes acolhem?

Desde 1919 até 1970, eram hospedados jovens seminaristas que vinham da Eritreia e da Etiópia. Frequentavam os cursos ginasiais e, em seguida, a filosofia e a teologia nos ateneus romanos. Uma vez ordenados sacerdotes, regressavam aos respectivos Países para desempenhar o serviço pastoral. A partir de 1970, não são mais acolhidos seminaristas, mas sacerdotes. O objetivo é o de se formarem nas diversas universidades para obter os vários mestrados ou doutorados. Em geral, são padres diocesanos de rito oriental provenientes da Etiópia e da Eritreia. Não são religiosos.

O senhor, porém, é um consagrado.

Devemos recordar um pouco da história do Colégio. Ele nasceu de uma iniciativa de dois missionários capuchinhos veteranos da Eritreia. Chamavam-se Fr. Francesco de Offeio e Fr. Angelo de Ronciglione. Nos anos 1920, os dois frequentam a hospedaria de Santo Estêvão dos Abissínios, que, naquele tempo, era casa de formação dos Trinitários Descalços. Tinham pedido aos frades para hospedar um ex-aluno do Seminário de Keren, que viera a Roma para continuar os estudos em preparação ao sacerdócio. Entrando na hospedaria, viram algumas tumbas dos nossos compatriotas, e daí veio-lhes a ideia de um colégio. Pediram a Bento XV o privilégio de pôr aqueles locais à disposição dos seminaristas eritreus. Assim, contactaram uma pessoa influente, o jesuíta Camillo Beccari, que falou com o Pontífice e lhe entregou a carta deles. Escreveram também ao primeiro Vigário Apostólico na Eritreia, Dom Camillo Carrara, ex-Ministro Provincial dos capuchinhos da Lombardia.

Nasceu assim o vínculo com os frades menores capuchinhos?

A iniciativa do Colégio partiu daqueles dois missionários capuchinhos e, assim, a gestão foi confiada à nossa Ordem. De fato, de 1919 a 1970, foram capuchinhos de diversas nacionalidades a dirigir o colégio. De 1970 a 1999, assumiram a direção os monges cistercienses, depois, de 1999 al 2003, um padre de Adis Abeba. Seguiram-se os lazaristas, de 2003 a 2012. Desde 2012, a gestão é confiada aos frades menores capuchinhos da Eritreia e da Etiópia. O Colégio se enquadra nas competências da Congregação para as Igrejas Orientais.

Qual importância desempenha para a Igreja em seu País?

O Colégio tem uma importância vital, pois aqui se formam os sacerdotes que serão os guias do povo, os “mestres” que conduzirão o Igreja local. Alguns estudantes, um dia, provavelmente se tornarão bispos. No curso dos anos, foram onze aqueles que estudaram no Colégio e depois receberam a ordenação episcopal. Em 1930, em nossa capela, foi ordenado o primeiro bispo nativo da Etiópia e da Eritreia, Dom Kidanè-Maryam Cassà, da Arquieparquia de Asmara. Vindo aqui, os sacerdotes se formam com um amplo horizonte. Conhecem diversas realidades não apenas dentro da Igreja católica, mas também das demais Igrejas, sobretudo ortodoxas. Alguns dos nossos estudantes frequentam o Pontifício Instituto Oriental, onde há alunos provenientes de toda parte do mundo. São católicos, mas também ortodoxos, e, deste modo, encontramo-nos e nos tornamos irmãos.

Quantos estudantes acolhem atualmente?

Vinte e um, dos quais catorze etíopes e sete eritreus. Eu, que tenho o encargo de Reitor, sou eritreu, enquanto o Vice-Reitor é etíope. Também contamos com três religiosas indianas, que nos ajudam na condução da casa. Pertencem à Congregação da Pequena Flor de Betânia. Essa “pequena flor” agora se tornou grande, e as irmãs são cerca de mil presentes em todo o mundo. Temos três funcionários que nos auxiliam na cozinha e limpeza. O Colégio pode acolher até 25 estudantes, além de ter alguns quartos para hóspedes.

O que fazia antes de ser nomeado Reitor?

Eu era frade na Eritreia e continuo a sê-lo estando aqui. Por muitos anos, fui formador dos jovens na província capuchinha de Asmara. Em seguida, tornei-me Secretário do Provincial por 15 anos, e depois fui eleito Provincial, encargo que desempenhei por 6 anos. Ao término do mandato, fui chamado a Roma e destinado à Garbatella, onde há um pequeno convento adjacente ao Mosteiro das Clarissas Capuchinhas. Por quatro anos, fui Superior da casa e capelão do mosteiro.

© L'Osservatore Romano, 10-11 de janeiro de 2020

Fonte:  www.orientecristiano.it

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Rettori del Pontificio Collegio Etiopico

Última modificação em Sexta, 24 Janeiro 2020 18:50